CHOSEN - Lamentos - Episódio 3 T5
- Editora Kaleo

- 17 de ago.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 6 dias
A narrativa volta mais uma vez ao cenáculo, dando continuidade ao discurso de despedida. Jesus consola os discípulos com uma das promessas mais conhecidas dos evangelhos: "na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar lugar para vocês" (Jo 14.2-3), garantindo que voltará para buscá-los. Em seguida, promete que não os deixará órfãos (Jo 14.18), uma declaração carregada de ternura, especialmente considerando o abandono que Ele mesmo acabara de anunciar que sofreria.
Voltando à linha do tempo principal, o episódio retoma o momento imediatamente posterior à purificação do Templo, e agora Jesus explica o motivo do seu gesto radical diante dos religiosos. Os fariseus o questionam com que autoridade Ele fez aquilo, e Jesus responde afirmando que age por autoridade própria, uma resposta que, para os líderes religiosos, soava como blasfêmia, já que apenas Deus poderia reivindicar tal coisa. Quando pedem um sinal que comprove essa autoridade, Jesus responde com uma frase enigmática: "destruam este templo, e em três dias eu o levantarei" (Jo 2.19). Os ouvintes entendem isso como referência ao templo físico, mas o evangelista João esclarece que Jesus falava do templo do seu próprio corpo (Jo 2.21), uma profecia velada sobre sua morte e ressurreição.
Nos bastidores, fariseus e escribas arquitetam uma estratégia: inquirir Jesus publicamente, diante da multidão, na esperança de que Ele tropece nas próprias palavras e lhes dê provas suficientes para condená-lo. É o início de uma série de armadilhas verbais que os evangelhos registram detalhadamente nesse período final do ministério.
Enquanto isso, os próprios discípulos demonstram confusão diante das atitudes cada vez mais confrontadoras de Jesus. Eles ainda não compreendem plenamente que o Reino que Ele veio estabelecer exige, antes, o confronto com as estruturas religiosas corrompidas.
Na multidão, os fariseus voltam a questionar Jesus sobre sua autoridade, e Ele responde com uma pergunta que os coloca em um dilema público: "o batismo de João era do céu ou dos homens?" (Mt 21.25). Se dissessem "do céu", seriam cobrados por não terem crido em João; se dissessem "dos homens", temiam a reação da multidão, que via João como profeta.
Encurralados, preferem não responder, e Jesus também se recusa a revelar sua autoridade.
Em seguida, Jesus conta a parábola da vinha e dos lavradores maus (Mt 21.33-46), enquanto os discípulos a encenam diante do povo, uma história sobre um dono que envia servos, e depois o próprio filho, para cobrar os frutos de sua vinha, apenas para vê-los maltratados e mortos pelos lavradores. A parábola é uma denúncia direta contra a liderança religiosa da época, que rejeitou os profetas enviados por Deus e estava prestes a rejeitar o próprio Filho.
Os fariseus tentam outra armadilha, perguntando se é lícito pagar impostos a César. Jesus responde com a célebre frase: "dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mt 22.21), desarmando tanto os que esperavam uma resposta que o incriminasse perante Roma quanto os que esperavam uma resposta que o desacreditasse diante do povo.
O episódio avança para os famosos "ais" pronunciados por Jesus contra os fariseus e mestres da lei (Mateus 23), nos quais Ele denuncia a hipocrisia religiosa de forma contundente: eles gostam de se exibir, dizem uma coisa mas fazem outra, fecham as portas do Reino dos céus diante dos homens sem entrar eles mesmos, e são comparados a sepulcros caiados, bonitos por fora, mas cheios de podridão por dentro (Mt 23.27).
Diante disso, a multidão fica dividida entre os que se identificam com as denúncias de Jesus e os que se sentem ofendidos pela ousadia do Nazareno. Em meio à confusão generalizada, inclusive dos próprios discípulos, Jesus se retira para o Monte das Oliveiras.
Lá, já afastado das multidões e acompanhado apenas dos discípulos mais próximos, Jesus começa a proferir o chamado Discurso Escatológico (Mateus 24, Marcos 13, Lucas 21), falando sobre guerras e rumores de guerras, fomes e terremotos em vários lugares, sinais que, segundo Ele, marcariam os tempos que precederiam grandes transformações, tanto para a destruição iminente de Jerusalém quanto para os acontecimentos finais da história.
Por: Lediel dos Santos
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