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CHOSEN - O Cenáculo I - Episódio 7 T5

Atualizado: há 2 dias

O episódio mergulha profundamente na noite da Última Ceia, trazendo um dos momentos mais emblemáticos de todo o ministério de Jesus: o lava-pés. Levantando-se da mesa, Ele cinge-se com uma toalha e, um a um, lava os pés de cada discípulo, inclusive os de Judas, que já carrega em segredo o plano da traição. É a cena narrada com riqueza de detalhes em João 13.1-17, na qual Jesus, sabendo "que o Pai tinha colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus" (Jo 13.3), realiza o gesto reservado a escravos, como demonstração máxima de humildade e serviço.


Simão Pedro reluta diante da cena, incomodado por ver seu Mestre em posição de servo diante dele. Mas ao ouvir de Jesus que, se não se deixar lavar, não terá parte com Ele, Pedro reage com seu costumeiro exagero, pedindo que Jesus lave não apenas seus pés, mas também as mãos e a cabeça (Jo 13.6-9), um retrato fiel da personalidade impetuosa do apóstolo, sempre disposto a ir além, mesmo quando ainda não compreende plenamente o significado espiritual do que está vivendo.


O episódio insere ainda uma trama paralela e comovente: um jovem chamado Marcos tem um sonho que interpreta como divino, e por essa convicção prepara o cenáculo para a ceia. É uma referência sutil e criativa da série à tradição cristã que identifica esse jovem com o próprio Marcos evangelista, cuja mãe, segundo Atos 12.12, possuía uma casa em Jerusalém usada pelos primeiros cristãos, e que alguns estudiosos associam também ao "jovem" mencionado de forma enigmática em Marcos 14.51-52, fugindo nu na noite da prisão de Jesus. No meio dos preparativos, seu pai o envia para buscar água, a fim de apagar uma pichação, um pequeno detalhe cotidiano que humaniza o cenário e mostra a vida comum de Jerusalém seguindo seu curso enquanto os eventos mais decisivos da história estão prestes a acontecer bem ali perto.

Como os discípulos não podem mais celebrar a Páscoa na casa de Joana, eles questionam Jesus sobre onde deveriam fazer os preparativos. Ele lhes dá instruções específicas e quase enigmáticas: encontrariam, ao entrarem na cidade, um homem carregando um jarro de água, e deveriam segui-lo (Mc 14.13-15 / Lc 22.10-12). É um sinal peculiar, já que carregar água era tradicionalmente tarefa das mulheres, tornando o homem com o jarro um sinal fácil de identificar em meio à multidão, e reforçando a impressão de que Jesus já havia arranjado tudo de antemão, talvez com o próprio Marcos e sua família.


O episódio se encerra em tom nostálgico: enquanto caminham rumo ao local da ceia, vários discípulos vão relembrando, em silêncio ou em conversas soltas entre si, como era a vida de cada um antes de conhecerem Jesus, o publicano desprezado, os pescadores endividados, o zelote sedento por vingança, os que carregavam doenças e dores profundas. É um momento de reflexão coletiva que prepara emocionalmente tanto os personagens quanto o espectador para a noite mais intensa e decisiva de toda a trajetória do Mestre com os Doze.



 
 
 

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