CHOSEN - A mesma moeda - Episódio 4 T5
- Editora Kaleo

- 17 de ago.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 6 dias
O episódio abre novamente na Última Ceia. João inicia a recitação do Dayenu, o tradicional cântico judaico entoado na Páscoa, que enumera as bênçãos de Deus para com Israel durante o Êxodo, repetindo após cada uma delas a palavra "dayenu", "já teria sido suficiente". A estrutura do cântico é conhecida: "se Ele tivesse nos tirado do Egito, e não tivesse executado juízo sobre eles, dayenu... se Ele tivesse partido o mar, e não nos feito atravessar em seco, dayenu...", uma longa lista de gratidão que celebra cada etapa da libertação como já suficiente em si mesma, mesmo que Deus tivesse parado ali. A cena reforça o contexto litúrgico judaico em que a Última Ceia acontece: não é apenas uma refeição qualquer, mas o Seder pascal, repleto de símbolos, orações e cânticos memorizados havia séculos.
Ainda durante a ceia, Jesus ensina aos discípulos o novo mandamento: "que vocês se amem uns aos outros; assim como eu os amei, vocês também devem amar uns aos outros. É assim que todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês tiverem amor uns pelos outros" (Jo 13.34-35). É um mandamento que ultrapassa a antiga Lei ao propor um novo padrão: não apenas amar como a si mesmo, mas amar como Jesus os amou, um amor sacrificial, disposto a lavar pés e a entregar a própria vida.
Voltando à linha do tempo principal, Maria Madalena tem um encontro marcante com os líderes fariseus na cidade. Transformada pela experiência de ter sido libertada por Jesus, ela fala com uma autoridade que surpreende os religiosos, testemunhando sobre quem realmente é o Nazareno diante daqueles que mais desejavam desacreditá-lo.
Nos bastidores do poder, o sumo sacerdote Caifás arquiteta os detalhes da prisão de Jesus: precisa ser feita à noite, longe dos olhos do povo, para não gerar tumulto e não comprometer a celebração da Páscoa. É exatamente o que os evangelhos relatam: os principais sacerdotes e anciãos combinaram prender Jesus com dolo e matá-lo, mas diziam: "não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo" (Mt 26.3-5). O Sinédrio, o conselho supremo religioso e judicial dos judeus, vota formalmente pela morte de Jesus, um processo que mistura religião e política, já que qualquer sentença de morte ainda precisaria da aprovação de Roma para ser executada.
No caminho de Jerusalém para Betânia, Jesus se depara com uma figueira sem frutos, e a usa como uma lição objetiva para os discípulos. O episódio bíblico da figueira estéril (Mt 21.18-22 / Mc 11.12-14, 20-25) costuma ser interpretado como um sinal profético sobre a condição espiritual de Israel naquele momento: uma nação com aparência de vida e religiosidade, mas sem os frutos verdadeiros da fé, folhas sem fruto, como os fariseus que Jesus acabara de confrontar publicamente.
O episódio se encerra em tom mais intimista: Jesus janta com as mulheres que O seguiram e sustentaram seu ministério ao longo da jornada, agradecendo pessoalmente a cada uma delas por sua fidelidade, coragem e generosidade. Ele as orienta a se afastarem de Jerusalém durante os dias da Páscoa que estão por vir, sabendo do perigo iminente que se aproxima. Antes de encerrarem o jantar, em um gesto emocionante, são elas, e não Ele, que entoam o Dayenu para Jesus, transformando o cântico de gratidão a Deus em uma declaração de gratidão pessoal por tudo o que Ele foi e fez em suas vidas.
Por: Lediel dos Santos
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